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5 passos para contornar os obstáculos enfrentados pela logística atualmente

Entenda como resolver dificuldades dos processos logísticos frente aos desafios globais

O chamado efeito borboleta pode ser explicado pela metáfora de que o bater das asas de uma borboleta aqui no Brasil desencadeia um tornado no Texas. Não significa que isso possa realmente acontecer, mas apenas que um pequeno evento, como este, na hora e no lugar certo, poderia em teoria desencadear um conjunto de ocorrências que culminará na formação de um furacão no outro lado do mundo. Portanto, de forma resumida, podemos entender que eventos em algum lugar do planeta influenciam outros do outro lado do mundo. Em termos econômicos, isso é mais fácil de perceber. Um problema na bolsa de valores dos EUA, por exemplo, afeta economias em todos os continentes. Com os processos logísticos também é assim. 

Talvez o acontecimento mais observado nesse quesito no cenário atual seja a guerra entre Rússia e Ucrânia. À medida que o conflito entre os dois países cresce, as perspectivas operacionais das operações logísticas com essas nações ficam severamente alteradas. Vários países e a União Europeia impuseram novas sanções comerciais e controles de exportação contra a Rússia, Bielorrússia e as regiões ucranianas da Crimeia, Donetsk e Luhansk. Além disso, restrições adicionais são esperadas. Mesmo que suas transações continuem sendo permitidas, as novas sanções podem dificultar qualquer operação futura.

O custo da guerra

Fora isso, é importante lembrar de que as reservas para os territórios afetados estão temporariamente suspensas. Algumas operadoras também impuseram uma sobretaxa de guerra, o que encareceu ainda mais alguns processos. Dito tudo isso, espera-se que a crise Rússia-Ucrânia afete fortemente ainda mais o comércio mundial em um futuro próximo, especialmente em vista das sanções mencionadas. Entre os resultados, pode-se esperar um aumento dos custos de transporte e logística, interrupções na cadeia de suprimentos, aumento dos preços do gás e da eletricidade, entre outros.

 

Como muitos países anunciam a exclusão da Rússia e, mais recentemente, da Bielorrússia, do sistema de pagamentos SWIFT, as transações com ambos os países são muito difíceis de concluir. Além dos EUA, a UE, o Reino Unido, o Canadá, a Suíça, o Japão, a Austrália e a Nova Zelândia já anunciaram sanções contra a Rússia e espera-se que mais nações acompanhem essa decisão. O efeito imediato na cadeia de suprimentos foi o forte aumento dos preços das commodities. Isso será exacerbado por atrasos e paralisações dos dois países e das regiões vizinhas.

Cenário brasileiro e frete internacional

O Brasil é um país que sente internamente o resultado da guerra. Porém, a economia brasileira já enfrentava dificuldades. O crescimento econômico do Brasil desacelerou em 2019, tornou-se negativo em 2020 e mostrou sinais de recuperação em 2021. Entretanto, a melhora não foi sentida até o momento. O nível de liberdade econômica mudou pouco nos últimos cinco anos e, liderado por aumentos modestos na pontuação em liberdade trabalhista e integridade do governo, o Brasil registrou um ganho geral de apenas 0,4 ponto em liberdade econômica desde 2017 e permanece nas classificações mais baixas dos países categorizados como “Mostly Unfree”. 

 

Um fator que explica parcialmente a pouca evolução econômica é a pandemia de COVID-19. Até 1º de dezembro de 2021, 614.964 mortes foram atribuídas à pandemia no Brasil, e a resposta do governo à crise ficou em 97º lugar entre os países incluídos neste Índice em termos de seu rigor. Todo esse cenário desfavorável gerou um aumento no frete internacional, algo que pode ser percebido desde o fim de 2019. 

 

O atual cenário conta com maior demanda por frete marítimo para acesso a navios e contêineres, causando escassez de espaço, principalmente devido ao fato de as transportadoras priorizarem mercados e rotas comerciais onde ganham mais dinheiro, o que resulta em falta de contêineres em rotas comerciais menos prioritárias. Fora isso, houve uma redução impactante de trabalhadores portuários, operadores e funcionários de fábricas, bem como fechamentos temporários de fábricas. 

 

Como resultado direto, a velocidade dos tempos de trânsito, bem como a carga de produção e fornecimento em toda a cadeia global, se viu prejudicada. Vários contêineres permanecem em fábricas que foram fechadas. A redução do número de valores cobrados do destinatário de serviços de precificação de alto impacto que o mercado superior estava oferecendo para pagar.

 

A guerra da Rússia e Ucrânia deixou esse cenário ainda mais complicado. No geral, mais congestionamentos na cadeia de suprimentos, atrasos e, portanto, interrupções estão ocorrendo. Na Europa, os portos já estão congestionados e a situação provavelmente piorará devido a mais engavetamentos de navios porta-contêineres. Isso, claro, causa impactos no Brasil. Além disso, as companhias de navegação estão procurando espaço de terminal para armazenar contêineres que já estão na água e destinados à Rússia ou à Ucrânia. Como resultado de portos alternativos que recebem mais carga do que o normal, é provável que também presenciam congestionamento. 

 

A disponibilidade reduzida de contêineres e a falta de equipamentos em rotas comerciais alternativas deixaram a situação ainda mais preocupante. Como o frete ferroviário entre a China e a Europa é interrompido e as taxas de frete aéreo estão previstas para um grande aumento, dificilmente há uma alternativa a esse cenário de efeito dominó. No cenário brasileiro, ainda há o problema da lata de combustíveis e frete.

Alta do combustível e frete

O preço do combustível e a manutenção da política da Petrobras no mercado doméstico continuam defasados ​​em relação ao mercado internacional. Com isso, a estatal estabeleceu mais um aumento, dessa de em R$ 1,27 (diesel) e R$ 0,78 (gasolina), nas refinarias para manter a paridade do petróleo, válidos a partir de 6 de maio. Segundo dados da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), as defasagens médias estão em 21% para o óleo diesel e 17% para a gasolina. Entretanto, a defasagem do diesel já chegou a 25% (em Itaqui, Suape, Santos e Araucária) e da gasolina, a 19% (em Araucária). 

 

Ainda de acordo com a Abicom, o novo aumento foi necessário para equiparar os preços do Brasil aos do mercado internacional, um cenário que tem se repetido ao longo dos últimos meses. Por conta disso, a expectativa de preços mais estáveis ​​após a pandemia de COVID-19, que estava prevista para 2022, acabou não se realizando. Como resultado direto, as transportadoras acabaram reajustando o frete em até 29%. 

 

Em nota, o Conselho Nacional de Estudos em Transporte da NT&C Logística (Conet) afirmou que o aumento do preço do diesel acarreta a necessidade de reajuste adicional no frete de, no mínimo, 8,75%, fator este que deve ser aplicado emergencialmente nos fretes, acumulando um reajuste total de 28,96% na carga fracionada e 28,82% na carga lotação. 

 

O novo aumento também impacta na produção de diversos itens que dependem de transporte entre cidades, encarecendo o custo final e prejudicando as vendas. Com tudo isso acontecendo concomitantemente, muitas empresas estão tendo que repensar seus processos logísticos ou mesmo adaptá-los para mitigar ao menos parte dos altos custos que envolvem hoje todo supply chain. 

5 passos para contornar obstáculos logísticos

Apesar de diversas dificuldades, é possível adotar práticas que possibilitem cortar custos e enfrentar os obstáculos que o cenário atual impõe. Separamos aqui cinco práticas que podem ajudar na sua cadeia de suprimentos e melhorar sua logística como um todo: 


  • Corte custos de transporte

Podemos dizer que este é o principal problema enfrentado hoje quando pensamos no supply chain. Em alguns casos, os custos de transporte chegam a atingir 50% do valor da mercadoria. Muitos varejistas estão optando por deixar apenas uma ou duas empresas para cuidar de todo o seu transporte. O raciocínio para isso é simples: quanto mais itens enviados por uma mesma transportadora, mais chances de obter melhores taxas. Além do mais, você tem que confiar em uma empresa com seu estoque completo. Isso facilita o controle, o que também diminui gastos no processo como um todo. 


  • Priorize a sustentabilidade

Práticas de logística sustentável, como otimização de rotas e redução de caminhões meio cheios, são mais adequadas e muitas vezes mais rentáveis ​​do que práticas não sustentáveis. Além dessa clara vantagem, as empresas que buscam práticas sustentáveis ​​em toda a sua cadeia de suprimentos estão mais bem preparadas para se antecipar à nova legislação em descarbonização, evitando gargalos por não conformidade.


  • Adote novas tecnologias

As empresas de logística já precisam começar a aplicar soluções tecnológicas novas e inovadoras. Isso porque eles ajudam você a aumentar a produtividade e diminuir os custos a longo prazo. Afinal, estamos no ponto em que coisas como sistemas de gerenciamento de armazém, os chamados WMS, estão se tornando inegociáveis. Portanto, não se trata de algo para o futuro, mas uma realidade atual. Quem está defasado, fatalmente terá mais gastos. 


  • Mantenha uma comunicação real time

O comércio eletrônico está se tornando mais famoso a cada ano devido ao aumento do uso da internet. Muitas das mercadorias compradas online vêm do exterior e podem levar dias, senão semanas, para chegar. O cliente final deseja ser atualizado ou poder rastrear o envio de seus produtos, mas os dados corretos simplesmente não estão disponíveis. Tanto para clientes finais quanto para distribuidores e parceiros, uma comunicação em tempo real pode ajudar a reduzir custos futuros. 


  • Tenha especialistas cuidando de sua logística

Intimamente relacionado ao desafio de custos crescentes está o aumento da complexidade dos processos, o que implica também desafios complexos. Os custos crescem e, sem o crescimento simultâneo da visibilidade, esses custos podem ser difíceis de identificar, quanto mais reduzir. As partes interessadas que buscam desenvolver agilidade e resiliência em cadeias de suprimentos complexas enfrentam dificuldades relacionadas à transparência.

 

Ao ter controle de todo supply chain, um provedor de logística integrada (4PL) consegue economizar com base em eficiência. O fornecedor 4PL gerencia toda a comunicação e o controle, desde o contato com o produtor da mercadoria ou matéria-prima, o que possibilita maior eficiência em todo o trajeto, permitindo transporte e embalagem mais eficientes. 

 

Dentre os fornecedores 4PL, a Vendemmia é hoje a única empresa do setor que consegue operar por meio de estruturas próprias (trading, transporte e armazenagem), maximizando os ganhos dessa cadeia com benefícios fiscais, tributários, aduaneiros e financeiros. Além disso, a Vendemmia também é a única do setor que possui uma plataforma tecnológica própria, a Vendemmia Analytics, que traz em um único ambiente toda a visibilidade da cadeia. 

 

Esse controle e know-how são dois aspectos primordiais que permitem uma redução nos custos de frete, pois apresentam uma visão estratégica para criar uma nova rede de cadeia de suprimentos que gerencie com eficiência o fluxo de produtos em todas as plataformas. Fora isso, a Vendemmia possui contratos com alguns dos maiores agentes de carga do mundo e um volume constante de transporte histórico com uma alta demanda, o que viabiliza os espaços em contêineres, reduzindo custos e garantindo mais segurança. 


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